HOMENAGEM PÓSTUMA A JOSÉ TAROUCO

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Hoje tivemos uma notícia tardia e triste. No dia 29 de setembro de 2021, faleceu aos 86 anos de idade, por complicações de uma infecção urinária, o atleta José Tarouco Corrêa, o Cel Tarouco como era conhecido entre nós. O aviso tardio de sua morte ocorreu por conta do Alzheimer ao qual ele vinha enfrentando nos últimos anos, o que naturalmente levou ao seu afastamento dos amigos do Tiro Esportivo. Foi casado com Flora Poliano com quem teve 3 filhos criados em Laranjeiras, no Rio de Janeiro.

Tarouco é uma verdadeira lenda do nosso esporte. Sua história com o Tiro começou no Exército Brasileiro quando ingressou na Academia Militar das Agulhas Negras, a AMAN, aprimorando suas habilidades nos tão reconhecidos estandes daquela instituição até se formar no início dos anos 60. Competiu pelo EB nos Campeonatos Pan-americanos de Fuzil, no Panamá, em 66 e 67, tornando-se técnico da equipe em 68 até 1974 quando o torneio teve sua última edição. A importância da competição estava ligada ao fato de sua estrutura, ser uma cópia fiel do Tiro de Instrução do Exército Norte-Americano, o que revolucionou a instrução militar do Exército Brasileiro, pois nossos atletas puderam trazer este “know how” para o nosso país, substituindo o então regulamento do Tiro Francês (RTAP) utilizado desde 1923.

Além de ajudar a desenhar a estrutura de ensino do Tiro Militar, Tarouco que tinha uma habilidade incomum para um atleta, pois atuava muito bem em dois segmentos, dominava o Tiro com Fuzil e era um perito na Pistola, começou também a atuar na Confederação Brasileira de Tiro Esportivo como atleta e notoriamente como instrutor e árbitro. Inclusive passando a formar muitos árbitros nacionais.

“Todos os que tiveram a oportunidade do convívio com o técnico, ou como ele mesmo gostava de ser chamado, o “coach Zé tarouco”, jamais o esquecerão.”, afirma José Carlos Iengo, um dos muitos atletas da CBTE e do EB instruídos por Tarouco. ” o indispensável uso das onomatopeias, para nos ensinar o ritmo das séries de tiro rápido militar: ‘Tchaca tchaca pum’, ‘thaca pum’ e ‘tcha pum’, para as séries de 10, 8 e 6 segundos respectivamente. Sempre chamando a atenção para as séries de 6 segundos que era sua favorita”, completa o “Magrão” como era carinhosamente chamado pelo técnico.

Morador do Rio de Janeiro e atleta do Fluminense, durante muitos anos se dividiu no eixo entre o Rio e Resende, sede da AMAN, onde permanecia de segunda a sexta para conduzir o treino das suas equipes de pistola pela manhã e as de fuzil no período da tarde.

Segundo seu filho com quem morou nos últimos anos, Carlos Tarouco Correa, o pai, mesmo com todas as dificuldades de lembrar questões cotidianas, em virtude da doença, sempre falava do orgulho de ter pertencido à arma de Engenharia do EB e de seus atletas que representavam sua segunda família.

“Homem poderoso no conhecimento esportivo, na fé humana e no carinho por quem amava e pelo que fazia, me desenvolveu o controle emocional através do esporte, o entusiasmo para treinar, a coragem para enfrentar os desafios técnicos e psicológicos do tiro esportivo militar e a vontade de vencer. “, compartilhou Iosef Arêas Forma em sua Rede Social.

Os membros da CBTE estão enlutados com esta perda, e se juntam, mesmo que tardiamente, aos familiares e amigos nesta tristeza. Temos certeza que Tarouco será eternizado através de nossas histórias e lembranças, que não são poucas, dentro e fora dos estandes.

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