ATLETAS DESEMBARCAM E DÃO A LARGADA PARA PEQUIM 2008

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Restrições impostas pelo governo para garantir um evento impecável geram críticas dos brasileiros

Por Mariana Canedo, enviada especial do iG

PEQUIM (China) – A maior delegação brasileira da história dos Jogos Olímpicos começou a desembarcar em Pequim nesta semana. E, aparentemente, o entusiasmo pelo início das competições vem seguindo uma crescente. Até o dia 17 de agosto, 469 atletas terão chegado a Pequim. As primeiras modalidades a chegar à terra da Olimpíada foram vela, natação e tiro esportivo. A última será o pentatlo moderno.

Os iatistas Robert Scheidt e Bruno Prada, que competirão juntos em uma Olimpíada pela primeira vez, na classe Star, foram os primeiros brasileiros a pisar em solo chinês. Chegaram a Qingdao, cidade que sediará as competições de vela destes Jogos Olímpicos, na terça-feira, às 23h (horário de Pequim). Os atletas testaram os equipamentos na quarta-feira e já começaram a treinar no dia seguinte.

Na quinta-feira foi a vez de 22 atletas da natação e de Júlio Almeida, do tiro esportivo, desembarcarem em Macau para o período de aclimatação para os Jogos. Os nadadores chegaram às 17h (horário local) e fizeram um treino leve já às 18h30. A atividade foi repetida nesta sexta. Também nesta sexta, Júlio Almeida conheceu o estande de tiro do Centro Olímpico de Macau; começa a treinar no sábado. Dos atletas que passam pelo período de aclimatação em Macau, o atirador será o primeiro a chegar a Pequim, no dia 3 agosto.

Os atletas da natação Kaio Márcio de Almeida e Lucas Salatta juntam-se aos que estão em Macau no dia 29. Já estão treinando: César Cielo, Guilherme Guido, Felipe França, Fernando Silva, Gabriel Mangabeira, Henrique Barbosa, Nicholas Santos Eduardo Deboni, Nicolas Oliveira, Phillip Morrison, Thiago Pereira, Rodrigo Castro, Fabíola Molina, Tatiana Lemos, Flavio Delaroli, Joanna Maranhão, Gabriela Silva, Tatiane Sakemi, Michelli Lenhardt, Monique Ferreira, Juliana Cury e Dainara Paula. Os nadadores entram na Vila Olímpica de Pequim no dia 4.

Robert Scheidt, medalhista em competições pela classe laser nas três ocasiões em que participou dos Jogos Olímpicos, sendo campeão em duas (Atlanta-1996 e Atenas-2004), comentou a estrutura que encontrou em Qingdao e falou sobre sua expectativa por subir ao pódio pela quarta vez consecutiva. “Não é fácil velejar em Qingdao, pois os ventos são fracos e a correnteza é forte. Existem umas dez duplas com chances e estamos entre elas. Teremos que construir a competição regata a regata, mas estamos confiantes. O objetivo é o ouro”, destacou.

Para o velejador, ainda existe mais um motivo para que esta Olimpíada tenha um sabor especial. Escolhido para ser o porta-bandeira da delegação brasileira na cerimônia de abertura dos Jogos, durante encontro dos atletas com o presidente Lula no Palácio do Planalto, na semana passada, Scheidt disse ter se surpreendido, mas que se sente orgulhoso.

“Foi uma surpresa enorme. Eu não esperava a notícia. Normalmente a definição do porta-bandeira é feita só às vésperas da Olimpíada, já no local dos Jogos. Fiquei muito honrado, assim como a vela brasileira também deve estar”, ressaltou.

À medida que vai chegando mais perto da cerimônia de abertura, aumenta a expectativa de todos que vieram a Pequim, independentemente da possibilidade de conseguir ou não ingressos para assistir às competições. Além dos telões espalhados pela cidade para as pessoas assistirem aos eventos ao vivo, ao ar livre, outras atrações, como as zonas interativas montadas por uma empresa de refrigerantes patrocinadora dos Jogos, devem atrair os que visitam a cidade motivados pelo maior evento esportivo do planeta.

No Chaoyang Park, onde está montada a arena de vôlei de praia, há uma destas zonas, onde, além de jogos interativos, haverá um centro de troca de broches e outras atividades para celebrar a realização de Pequim 2008. Outra dessas zonas estará instalada no The Place, que exibirá na tela de 15 metros de extensão, localizada no teto do corredor que divide o complexo de lojas e salas, um vídeo comemorativo dos Jogos Olímpicos.

Para os brasileiros, há um evento bem especial nos dias 1º e 2 de agosto. O samba invade o auditório do Palácio do Povo (Congresso Nacional Chinês) com uma apresentação de passistas e músicos da velha guarda da escola de samba carioca Unidos de Vila Isabel. Além do Brasil, haverá apresentações típicas também de Cuba, México, Argentina, Colômbia e Peru. Os ingressos variam entre 40 e 200 reais.

Além disso, o setor cultural da Embaixada do Brasil em Pequim vem promovendo gratuitamente oficinas de capoeira e samba. As aulas começaram esta semana e serão realizadas até o dia 15 de agosto, às segundas, quintas e domingos. Desde a primeira aula, no domingo passado, o número de alunos vem aumentando. Nesta quinta-feira havia mais de trinta alunos no final. As oficinas de capoeira estão sendo realizadas pelo terceiro ano consecutivo, e a de samba ocorre pela primeira vez.

Apesar das iniciativas, que buscam maior integração entre as culturas, o Secretário encarregado do setor cultural da Embaixada, Celso França, acredita que o intercâmbio entre os países, característico dos Jogos Olímpicos, vem sendo dificultado pelas restrições impostas pelo governo chinês. Atrações ao ar livre, por exemplo, só quem pode organizar são o governo ou empresas patrocinadoras dos Jogos, já cientes das regras.

“O rigor das medidas adotadas, como a impossibilidade de manifestações culturais em grupos ao ar livre, podam o típico espírito brasileiro, que é espontâneo e de rua. Queríamos poder realizar estas atividades em parques públicos, mas não podemos infringir as regras. Quem perde com isso a oportunidade de conhecer a cultura brasileira em sua expressão mais original é o público chinês”, destaca.

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